Minoxidil oral em fase 3: o que os novos resultados mostram — e o que ainda não
Estudo com 519 homens atingiu todos os desfechos, mas o remédio segue sem aprovação e sem previsão de chegada ao Brasil.
Estudo com 519 homens atingiu todos os desfechos, mas o remédio segue sem aprovação e sem previsão de chegada ao Brasil.
A farmacêutica Veradermics divulgou em 27 de abril de 2026 resultados positivos do estudo de fase 2/3 do VDPHL01, uma formulação oral de liberação prolongada de minoxidil. Em 519 homens, o ganho médio foi de 30,3 e 33,0 fios/cm² (dose única e dose dupla) contra 7,3 fios/cm² do placebo em seis meses. O medicamento ainda não está aprovado por nenhuma agência reguladora e não há data anunciada de submissão à Anvisa nem previsão de chegada ao Brasil.
Um dos anúncios mais relevantes do ano para quem convive com a calvície veio em abril. A biofarmacêutica norte-americana Veradermics (listada na Bolsa de Nova York sob o código MANE) divulgou os resultados preliminares da Parte A do estudo clínico de fase 2/3 — identificado como Estudo ‘302’ — do VDPHL01, uma formulação oral proprietária de minoxidil com liberação prolongada, desenvolvida especificamente para calvície de padrão.
O estudo foi randomizado, duplo-cego e controlado por placebo — o desenho considerado mais robusto para avaliar eficácia. Participaram 519 pacientes homens com calvície de padrão leve a moderada, divididos em três grupos: VDPHL01 8,5 mg uma vez ao dia, VDPHL01 8,5 mg duas vezes ao dia, ou placebo.
Em seis meses de tratamento, o ganho médio de fios não-velos na área avaliada foi de 30,3 fios/cm² no grupo de dose única diária e 33,0 fios/cm² no de dose dupla, contra 7,3 fios/cm² no grupo placebo. Ambos os resultados com significância estatística alta (p<0,0001).
A distinção entre fio velo e não-velo importa aqui. Fios velos são aqueles finos, curtos e claros, quase imperceptíveis. A medida usada no estudo considera apenas fios terminais — os que efetivamente produzem cobertura visível. É um critério mais exigente do que simplesmente contar fios.
Na percepção dos próprios pacientes, avaliada por uma escala específica para alopecia androgenética, 79,3% (dose única) e 86,0% (dose dupla) relataram alguma melhora na cobertura capilar, contra 35,6% do placebo. Quando se considera apenas quem classificou o resultado como “melhorou” ou “melhorou muito”, os números foram 48,4% e 62,9%, contra 13,4% do placebo.
Os investigadores do estudo também avaliaram os participantes de forma independente e classificaram 72,0% (dose única) e 84,4% (dose dupla) como tendo melhora na cobertura capilar aos seis meses. A convergência entre medida objetiva, percepção do paciente e avaliação do investigador é um sinal de consistência relevante.
Outro dado que chamou atenção: a separação estatística em relação ao placebo já aparecia no segundo mês, o ponto mais precoce avaliado no estudo. Tratamentos capilares costumam exigir espera longa antes de qualquer sinal, e início de resposta mais rápido tem impacto prático grande na adesão — muita gente abandona o tratamento antes de ver resultado.
Para entender por que essa formulação específica é considerada relevante, é preciso saber de onde vem o minoxidil. A substância foi originalmente desenvolvida como medicamento cardiológico, para hipertensão. O crescimento capilar foi observado como efeito colateral, e só depois passou a ser explorado terapeuticamente — primeiro na forma tópica.
O uso oral do minoxidil para calvície ocorre há anos em doses baixas, mas com uma limitação conhecida: como a origem é cardiológica, picos elevados de concentração no sangue estão associados a efeitos cardiovasculares indesejados. Isso limita a dose que pode ser prescrita com segurança.
Um dos investigadores do estudo, o dermatologista Michael Gold, resumiu o problema ao dizer que a dermatologia vinha tratando queda de cabelo com um medicamento emprestado da cardiologia, numa formulação que nunca foi pensada para esses pacientes, em doses estabelecidas de forma informal.
A proposta técnica do VDPHL01 é justamente essa: uma matriz em gel que libera o minoxidil de forma lenta e constante, evitando os picos de concentração associados ao risco cardíaco e mantendo por mais tempo o nível mínimo necessário para o crescimento capilar. Segundo a empresa, no estudo não houve eventos adversos graves relacionados ao tratamento nem eventos adversos de especial interesse de origem cardíaca, e as taxas gerais de eventos adversos foram semelhantes às do placebo.
Aqui a leitura precisa de cuidado, e vale detalhar por quê.
Os dados são preliminares e da própria empresa. O que foi divulgado é um resultado topline — um resumo dos principais desfechos, comunicado ao mercado financeiro pela companhia desenvolvedora. Isso não é o mesmo que publicação científica revisada por pares, em que outros pesquisadores examinam metodologia e dados brutos. A empresa tem interesse econômico legítimo no resultado, o que não invalida os números, mas recomenda aguardar validação independente.
O medicamento não está aprovado. A própria Veradermics descreve o VDPHL01 como produto investigacional em desenvolvimento de fase 3. Um segundo estudo de fase 3 em homens, o Estudo ‘304’, teve recrutamento concluído em fevereiro, com resultados previstos para o segundo semestre de 2026. Não há aprovação em nenhum país até o momento.
Não há previsão para o Brasil. Não foi anunciada data de submissão à Anvisa. Mesmo que a aprovação norte-americana ocorra, o registro brasileiro é processo separado, com prazo próprio. Qualquer estimativa de quando o produto chegaria às farmácias brasileiras seria especulação.
O estudo avaliou casos leves a moderados. Esse é talvez o ponto menos comentado e mais importante para quem já está em estágio avançado. Os participantes tinham calvície de padrão leve a moderada. Os resultados não permitem concluir nada sobre efeito em quem já perdeu a maior parte da cobertura, situação em que o folículo passou por miniaturização severa ou deixou de produzir fio.
Parte da repercussão se explica pelo tamanho do problema. A própria Veradermics cita que a calvície de padrão atinge cerca de 80 milhões de pessoas nos Estados Unidos — aproximadamente 50 milhões de homens e 30 milhões de mulheres.
Outro fator: não há novo medicamento de prescrição aprovado para calvície de padrão há praticamente três décadas. As opções disponíveis são antigas, e boa parte do que se vende sem prescrição entrega resultado inconsistente. Um produto com dados robustos de fase 3 naturalmente gera atenção num cenário parado há tanto tempo.
Vale registrar também o que o tratamento medicamentoso, por natureza, não resolve: ele depende de uso contínuo. Interrompido o medicamento, o processo de perda tende a retomar seu curso. É manutenção permanente, não cura.
Esse é o ponto prático para muita gente. Somando as etapas — conclusão dos estudos de fase 3, submissão regulatória, aprovação, registro no Brasil e chegada à farmácia — e considerando que, uma vez disponível, o efeito leva meses para aparecer e depende de uso contínuo, o horizonte não é curto.
A prótese capilar de micropele ocupa o extremo oposto dessa equação. Ela não é tratamento médico e não age no folículo — é uma solução estética que devolve densidade no mesmo dia da aplicação, funciona em qualquer grau da escala Norwood, inclusive nos avançados que os estudos de medicamento não cobrem, e exige manutenção periódica.
Não são abordagens excludentes. Há quem siga tratamento dermatológico e use prótese; há quem use prótese justamente enquanto avalia outras opções. A decisão depende do estágio, da expectativa e do quanto a pessoa está disposta a esperar. Se quiser aprofundar a comparação, vale ler minoxidil, finasterida ou prótese capilar e a análise honesta das desvantagens da prótese — porque elas existem e você deve conhecê-las antes de decidir.
Quer entender qual solução faz sentido para o seu caso? A avaliação com o Victor é individual, presencial em Americana-SP, e começa por uma conversa no WhatsApp — sem compromisso.
Agendar uma avaliaçãoSe você é barbeiro ou cabeleireiro: notícias como esta aumentam a procura por informação sobre calvície, e boa parte desses homens não vai querer esperar anos por um comprimido que ainda nem foi aprovado. Esse é o cliente que hoje senta na sua cadeira de boné e vai embora só com o corte.
Ver o curso de prótese capilarDiante de uma notícia assim, a reação comum é adiar qualquer decisão e esperar. Vale examinar essa escolha com honestidade, porque esperar também tem custo.
A calvície androgenética é progressiva. Enquanto se aguarda um medicamento que ainda está em fase 3, o processo de miniaturização folicular continua. E os próprios dados do estudo mostram que o benefício foi medido em pessoas com quadro leve a moderado — ou seja, quanto mais o quadro avança, menos aplicáveis se tornam esses resultados ao caso individual.
Isso não significa correr para qualquer solução. Significa que "esperar" não é uma posição neutra: é uma decisão com consequência. Quem escolhe esperar deveria fazer isso sabendo disso, e idealmente com acompanhamento dermatológico para monitorar a evolução.
Manchetes sobre "fim da calvície" aparecem com regularidade. Um pequeno roteiro ajuda a avaliar qualquer uma delas sem depender de opinião alheia.
Em que fase está o estudo? Pesquisa de laboratório e teste em animais estão muito longe da farmácia. Fase 1 avalia segurança; fase 2 começa a avaliar eficácia; fase 3 confirma em população grande. Só depois vem submissão e aprovação regulatória.
Havia grupo placebo? Sem grupo de comparação, não é possível saber quanto do efeito vem do medicamento. Estudo duplo-cego com placebo tem peso muito maior que estudo aberto.
Quantas pessoas participaram? Resultado em dezenas de pessoas é sinal; resultado em centenas com significância estatística é evidência.
Quem divulgou? Comunicado da própria empresa ao mercado não é publicação revisada por pares. Não invalida, mas pede cautela.
Qual perfil foi estudado? Resultado em quadro leve não se transfere automaticamente para quadro avançado.
Aplicando esse roteiro ao VDPHL01: fase 2/3, com placebo, 519 participantes, comunicado da empresa, perfil leve a moderado. É um resultado sólido dentro do que se propõe — e ainda assim distante da farmácia brasileira.
Por honestidade, cabe dizer também para quem a prótese não é indicada. Ela exige compromisso com manutenção periódica — quem não pretende manter essa rotina tende a ficar insatisfeito.
Também há situações em que o couro cabeludo precisa ser tratado antes: dermatite ativa, feridas, infecções ou sensibilidade acentuada pedem avaliação médica primeiro. Nesses casos, o profissional sério adia a aplicação e encaminha.
E há o custo contínuo, que é real e precisa entrar na conta antes da decisão, não depois.
Diante de uma novidade como essa, a tentação é buscar resposta em fórum e rede social. Algumas questões, porém, só têm resposta com exame e histórico em mãos.
Qual é exatamente o meu tipo de queda? Nem toda perda de cabelo é alopecia androgenética. Existem quadros difusos temporários, autoimunes e cicatriciais, e a conduta muda completamente conforme o caso. Tratar o tipo errado desperdiça tempo em um processo que é progressivo.
Em que estágio eu estou? A classificação do quadro define expectativa realista. Como os estudos do VDPHL01 avaliaram casos leves a moderados, saber onde você se encaixa é o que determina se aqueles números têm alguma relação com a sua situação.
Existe causa associada? Alterações de tireoide, deficiências nutricionais e uso de determinados medicamentos podem agravar ou desencadear queda. Corrigir isso às vezes muda o quadro sem necessidade de terapia específica.
Tenho alguma contraindicação? Minoxidil oral tem origem cardiológica, e histórico cardiovascular pesa nessa decisão. Isso não se avalia por conta própria.
O que é realista esperar? Um profissional experiente consegue dizer o que cada abordagem tende a entregar no seu caso concreto — incluindo quando a resposta honesta é que o tratamento medicamentoso não vai devolver a densidade que você deseja.
Essa última resposta é frequentemente o ponto em que a conversa sobre solução estética começa a fazer sentido — não como substituta do tratamento, mas como caminho paralelo para o presente.
Vale encerrar com uma observação que costuma passar batida. Mesmo os resultados mais positivos deste estudo descrevem ganho médio de fios em uma área medida — não restauração da densidade original. Um aumento de cerca de 30 fios por centímetro quadrado é estatisticamente expressivo e clinicamente relevante, mas está distante de devolver o cabelo dos vinte anos.
Essa distância entre o que a manchete sugere e o que o dado diz é a principal fonte de frustração de quem inicia tratamento com expectativa inflada. Quem entra sabendo que o objetivo realista é interromper a progressão e recuperar parte da densidade tende a ficar satisfeito; quem entra esperando reverter completamente tende a abandonar no meio do caminho.
Independentemente do caminho escolhido — medicamentoso, estético ou ambos — a decisão informada é a que se sustenta ao longo do tempo. E ela começa por saber exatamente em que ponto você está e o que cada opção consegue, de fato, entregar.